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30/05, exibição do filme Freenet? na ECO/UFRJ

Freenet?, o filme

Esta é para quem mora no Rio de Janeiro: na próxima segunda-feira, 30/05, haverá exibição do filme Freenet? na Escola de Comunicação da UFRJ, por iniciativa do professor Jonas Federman.

Eu participo do debate após a exibição ao lado da professora Fernanda Bruno, que tem vasta pesquisa sobre vigilância na rede.

Entrada franca. Estão todos convidados!

Mais informações sobre o filme, no post anterior.

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Em maio, lançamento do filme Freenet

Coerente com o espírito da internet livre, os produtores do documentário Freenet, com lançamento previsto para o início de maio próximo, procura interessados em exibir o filme em sessões abertas e gratuitas. A chamada se dirige não só a coletivos, escolas e academia, mas a todos os que queiram levar esse debate para o espaço público.

Para ser um exibidor, basta preencher e enviar este formulário

Já escrevi sobre o projeto aqui e aqui.

Reproduzo abaixo texto de divulgação do filme:

A world wide web foi concebida e construída a partir de um fundamento principal: a liberdade pela conexão em rede, e não demorou para se tornar o carro-chefe da liberdade de expressão do século XXI. Com ela, não somos apenas consumidores de informação, somos também produtores. Mas o quanto somos realmente livres na internet para acessar conteúdos, e nos expressarmos? Quem governa a rede? Com quais interesses? Temos privacidade? Quem garante o direito de todos os cidadãos a uma conexão rápida e de baixo custo? Essas e outras questões são debatidas em FREENET por especialistas e ativistas como Lawrence Lessig, Nnenna Nwakanma, Sergio Amadeu da Silveira, Edward Snowden, entre muitos outros. O filme passeia pela África, Índia, Estados Unidos, Brasil e Uruguai mostrando iniciativas e obstáculos para a democratização do acesso à internet e para a garantia de neutralidade da rede.

Assista ao trailer:

Mais informações na fanpage do Freenet.

E vamos lá, participar da rede de exibição e ajudar a colocar esse debate na rua!!

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WikiRebels – o documentário

Embora já um pouco antigo, do final de 2010, o documentário WikiRebels continua relevante. Produzido pela tv estatal sueca (SVT), conta os detalhes da história do Wikileaks, do seu surgimento até o início do controverso processo judicial contra seu líder Julian Assange.

O vídeo, com legendas em português, traz imagens fortes de assassinatos de civis no Iraque pelas forças armadas dos Estados Unidos, que lamentavelmente não foram devidamente investigados e punidos até hoje.

O mais importante, porém, é que as imagens e documentos vazados pela organização transformaram para sempre a relação de forças na chamada guerra da informação. O Wikileaks criou um sistema de vazamento de informações de interesse público, ao oferecer um caminho para que os cidadãos possam divulgar e denunciar atos governamentais que julguem ilícitos, que dificilmente será estancado. Edward Snowden, responsável por tornar público detalhes do sistema de vigilância global da NSA, que o diga.

Estranho mundo este em que se defende com tanto fervor a liberdade de expressão, mas onde três protagonistas dos principais vazamentos de dados de alto interesse público estão confinados: Chelsea Manning, soldado que forneceu arquivos secretos norte-americanos ao Wikileaks, foi sentenciada a 35 anos de prisão; Julian Assange está refugiado na Embaixada do Equador em Londres há mais de dois anos e meio; e Edward Snowden permanece em asilo político desde junho de 2013 na Rússia.

Liberdade de expressão para que e para quem? Falta responder…

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Sujeito a Termos e Condições

Privacidade e vigilância são questões críticas nos dias atuais. Não só para governos e organizações, mas também para pessoas comuns.

Edward Snowden revelou ao mundo o que alguns já sabiam: nossos dados pessoais estão cada vez mais expostos ao monitoramento, com objetivos especialmente comerciais e de segurança do estado. Já tratei deste assunto aqui e aqui.

Talvez o mais estranho é saber que, sem prestarmos muita atenção, grande parte desse monitoramento é feito com nossa concordância.

Explico: a cada vez que clicamos no botão “aceito” nos mais variados serviços e produtos, estamos na prática autorizando grandes empresas a “tomarem conta de nossos dados” da maneira que melhor lhes aprouver.

Serviços como Facebook, Google, Instagram, iTunes, LinkedIn etc. E produtos como softwares, computadores, tablets e smartphones. Todos sempre nos colocando diante de uma tela para concordarmos com normas e restrições. Como o texto é bem grande e a letra pequena, raramente alguém se dá ao trabalho de conferir. E não há saída: ou se aceita ou não se usa.

O documentário Sujeito a Termos e Condições explora as consequências desse ato tão corriqueiro e banal, mostrando como as corporações fazem uso das informações que têm acesso.

Ver como o criador do Facebook, Mark Zuckerberg, trata os dados dos usuários e, paradoxalmente, reage à invasão de sua própria privacidade, já vale o filme.

É um tanto quanto preocupante saber dos detalhes por trás de um simples clicar em “aceito”. Mas sempre é melhor estar consciente do que estamos expostos para que tenhamos mais discernimento ao disponibilizar nossas informações.

Atualização em 26/03/2015: o post trazia o link do documentário no Vimeo, com legendas em português, mas infelizmente ele foi retirado… De toda forma, fica a dica pra quem quiser baixá-lo:

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Resistência à vigilância

Há exatamente um ano, em junho de 2013, vieram a público as revelações de Edward Snowden sobre o sistema de vigilância global implementado pelo governo dos Estados Unidos, através da National Security Agency (NSA).

Vale assistir à entrevista de Snowden para o programa Milênio, na qual ele fala sobre sua motivação em divulgar essas informações, conta um pouco de sua vida no exílio e reafirma sua expectativa de conseguir asilo político no Brasil.

De lá pra cá, a percepção sobre a importância da privacidade on-line cresceu muito, não só junto a governos e organizações, mas também entre pessoas comuns, que se deram conta do quanto seus dados estão expostos ao monitoramento.

Paralelamente, começaram a circular mais amplamente informações sobre como proteger dados críticos, o que é especialmente vital para grupos ativistas que utilizam a rede como forma de articulação política.

Esse é o caso, por exemplo, do guia prático de combate à vigilância na internet com o sugestivo nome “Tem boi na linha?”

O site dá dicas para a mudança de hábitos e a utilização de criptografia e de softwares livres e de código aberto para aumentar o nível de privacidade. Mesmo assim, ressaltam, não há garantia de segurança total, mas ao menos será possível dificultar o trabalho de quem queira bisbilhotar.

Outra iniciativa baseada em criptografia foi lançada recentemente pela Free Software Foundation, o Email Sef-Defense: um sistema de encriptação de email como forma de resistência à vigilância. Segundo informações do site, em cerca de meia hora é possível configurar a ferramenta para se assegurar de que seu email não poderá ser lido por algum interceptador.

Tudo isso veio à tona recentemente, mas a vigilância local e global não é novidade. Já durante minha pesquisa de mestrado, que conclui em 2006, estudei a configuração do controle na atualidade, que tende a ser cada vez mais ubíquo e generalizado, focado mais em comportamento no que na identidade de determinada pessoa.

Isso na prática significa que uma ampla variedade de informações – desde navegação na internet, uso de cartão de crédito, GPS do celular etc – são monitoradas e seus rastros armazenados em bancos de dados para os mais diversos propósitos, especialmente aqueles relativos à segurança e ao comércio.

Não à toa, quando buscamos algum produto na internet, logo depois vemos aparecer “do nada” anúncios relacionados no Facebook ou no Google. A rede social já assumiu publicamente que os hábitos de navegação de seus usuários são rastreados para gerar anúncios direcionados.

A Revista Exame publicou recentemente matéria sobre esse assunto:
Como evitar que o Facebook rastreie os sites que você visita

Talvez alguém possa achar que este blog mudou o rumo da conversa, mas não. O tema da vigilância está sim diretamente relacionado ao da Internet livre, que é o que tem permeado boa parte do posts por aqui. Não é possível garantir a liberdade de expressão e de atuação, se não houver também garantia à privacidade e, paralelamente, transparência quanto à ação de organismos governamentais e empresariais no tratamento de informações privadas.

Para se ter uma ideia da abrangência da vigilância a que estamos expostos, em pesquisa coordenada pela professora Fernanda Bruno (ECO/UFRJ) em 2010, foram identificados 362 rastreadores de dados de usuários (cookies, flash cookies e web beacons ) nos sites brasileiros Terra, UOL, Yahoo, Globo.com, além de 295 rastreadores nas redes sociais Orkut e Facebook. Os dados coletados podem ser usados para gerar propagandas direcionadas e informações sobre tendências de comportamento ou consumo, como também podem ser negociados com outras empresas para diversos fins como: segurança; desenvolvimentos de produtos e serviços; gestão do trabalho; entretenimento; saúde etc.

Todos temos o direito de preservar nosso dados do monitoramento e também de saber (para permitir ou não) como são tratadas nossas informações tanto pelo governo como por empresas provedoras de acesso à internet, administradoras de redes sociais e sites de busca etc. Daí a importância de termos à mão informações práticas sobre como resistir à vigilância.

PS – Tinha acabado de publicar este post e li no Facebook uma notícia sobre o site Protestos.org, que tem como objetivo resguardar os direitos de privacidade e liberdade de expressão dos cidadãos nas ruas e na rede, sensibilizando e capacitando ativistas contra o aumento da vigilância e das violações de direitos. Sinal de que este é mesmo um tema do momento!

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Cooperação e controle na rede

A relação entre a cooperação e o controle na cibercultura foi a discussão central da minha pesquisa de mestrado “Cooperação e controle na rede: um estudo de caso do website Slashdot.org”, junto ao PPGCOM da ECO/UFRJ.

Tendo como objeto de estudo o website Slashdot.org, pensei a cooperação na rede como um legado da cultura hacker, que com suas práticas colaborativas transformou um projeto de pesquisa tecnológica de interesse militar em um meio de comunicação e interação social, além de território de luta pela definição do estatuto da informação e do conhecimento como um bem comum.

Por outro lado, refleti sobre as novas configurações do controle na atualidade, tendo como referência o pensamento de Michel Foucault sobre o poder como positividade. Isso porque percebi, no modelo de comunicação do site, um tipo de controle distribuído de viés colaborativo.

Recentemente, tive a oportunidade de abordar de novo esse tema ao publicar o artigo “Cooperação e controle nas dinâmicas de auto-organização em plataformas colaborativas”, no dossiê temático Práticas Colaborativas entre a Participação e o Controle da Revista Eptic Online, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e editada pelo Observatório de Economia e Comunicação (Obscom) da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Leia o resumo do artigo:

As plataformas colaborativas auto-organizadas têm demonstrado qualidade e vitalidade. Com dinâmicas produtivas geridas de forma distribuída pelo coletivo de participantes, esses projetos têm sido espaço de experimentação de tecnologias de cooperação, isto é, de instrumentos criados a fim de viabilizar sua sustentabilidade. Neste artigo, abordamos alguns aspectos dessas tecnologias, especialmente os mecanismos de controle participativo empregados para assegurar a evolução positiva da produção colaborativa. Num primeiro momento, apresentamos a visão de Michel Foucault sobre o poder como positividade para, em seguida, explorar a configuração do controle na atualidade. Abordamos, então, o papel do monitoramento nas estratégias de cooperação em rede, sob inspiração dos estudos de Elinor Ostrom. Por último, apresentamos o caso do website Slashdot, como exemplo de articulação entre esses dois vetores.

Clique aqui para acessar o artigo.

Recomendo a leitura da edição completa da revista, que traz neste número artigos e entrevista muito atuais sobre temas relevantes como Marco Civil, vigilância e privacidade, entre outros.

Clique aqui para conferir o índice completo desta edição da Eptic Online.

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Wikileaks e a vigilância distribuída

Hoje de manhã Julian Assange se entregou à polícia britânica. Isso significa que o projeto de se vazar informações governamentais sigilosas deve acabar? Eu acredito que não por dois motivos: primeiro, porque o Wikileaks faz parte de um fenômeno mais amplo relacionado com a forma como hoje a vigilância não é mais top-down, mas sim distribuída. E segundo porque todas as tentativas de se deter o fluxo de informações através da Internet têm fracassado sistematicamente. Vou tentar me explicar melhor.

De tudo que tenho lido nos últimos dias sobre o Wikileaks, me chamou a atenção o artigo do Umberto Eco no qual ele destaca o fato de que a vigilância cessa de trabalhar só em um sentido e passa a ser circular. Você pode ler o texto Not such wicked leaks na íntegra em http://tinyurl.com/2fm7soh. Embora essa afirmação não seja exatamente um ponto de vista novo sobre os fenômenos envolvendo a cibercultura, toca em uma questão, a meu ver, definidora da própria natureza da rede.

As transformações dos modos de controle e vigilância na sociedade contemporânea é um dos temas que tem inspirado muitos estudos na área de Comunicação. A professora Fernanda Bruno tem já uma extensa pesquisa sobre o assunto que pode ser conferida no seu blog Dispositivos de Visibilidade. Durante minha pesquisa de mestrado, Cooperação e Controle na rede: Um estudo de caso do website Slashdot.org, eu me aprofundei nessa matéria porque percebi que mesmo ali, naquele site colaborativo, eu podia observar um certo controle distribuído.

A base para desenvolver minha argumentação foi o pensamento de Foucault sobre o poder como algo feito de relações de força, que não operam de forma unilateral, mas sim como uma tecnologia que varia em diferentes momentos históricos. Para não me alongar muito aqui no conceito, vou direto analisar como é a forma dessa tecnologia na atualidade.

Ao contrário do que pensa o senso comum, a vigilância contemporânea é bem diferente daquela imaginada por George Orwell no seu livro Big Brother. Não existe um poder central que a tudo controla, para o qual nenhum ato escapa. O que há de fato é uma ampla tecnologia de captação dos mais variados dados e das mais diversas maneiras – através do uso do cartão eletrônico; da navegação na Internet; dos telefones móveis; dos aparelhos de GPS etc. etc. Algo bem próximo do que mostra o filme Minority Report, de Steven Spielberg (tirando os precogs, e toda a teoria da conspiração, claro). Hoje por exemplo, já podemos ser avisados por nossos aparelhos móveis das promoções de lojas quando entramos num shopping, por exemplo. Estamos sendo rastreados…

O interessante é perceber que essa monitoração de dados se dá cada vez mais de uma forma participativa. Nós cedemos nossos dados pessoais em troca das vantagens que isso nos oferece. Ao fornecer dados para os sites a fim de podermos acessar mais informações. Ou ao permitir que nossos movimentos sejam registrados para que possamos usufruir das funcionalidades dos aparelhos de geolocalização, como os GPSs. O casal Nardoni, acusado de matar a menina Isabella, não imaginava que aquela engenhoca que ajuda a circular pela cidade fosse uma das provas centrais da acusação contra eles, por ter registrado exatamente o horário em que desligaram o carro na garagem, derrubando a versão deles sobre aquela noite.

Já o Wikileaks aponta para um outro aspecto dessa vigilância distribuída que é a possibilidade de se vazar quaisquer dados, seja por sua vulnerabilidade à perícia dos hacktivistas, seja pela colaboração de um soldado americano. Na rede, já não é possível assegurar o sigilo. E estamos vendo o que isso representa para os ocupantes dos cargos de poder, que ainda não estão preparados para o novo paradigma da vigilância. Vivemos tempos de grandes transformações. Essa é mais uma delas, e talvez uma das mais significativas, porque representa também a exigência de uma profunda mudança no modelo de transparência adotado pelos governos.

E não há como frear essa pressão, nem mesmo tirando o Wikileaks do ar ou prendendo Julian Assange. Assim como os outros fenômenos da comunicação pela rede que tentaram ser contidos (vide Napster ou quebra do padrão de criptografia AACS), a tendência é que outros assumam a liderança e a informação se replique sem parar pela rede. A ideia nova foi lançada, não há mais como dispensá-la, pois sempre haverá alguém disponível para continuar, e até mesmo expandir, o projeto.

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