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Copiem, malditos!

O que é a propriedade intelectual? Até que ponto se pode possuir uma ideia? Que direitos emanam desta propriedade amplamente reconhecida pela lei desde os tempos da revolução industrial?

Estas perguntas serviram de mote para a realização de um dos mais interessantes documentários sobre as transformações do estatuto da autoria na atualidade, o filme “¡Copiad, Malditos! – derechos de autor en la era digital”, dirigido pelo espanhol Stéphane M. Grueso e produzido pela Elegant Movies Film em parceria com RTVE, a televisão pública espanhola.

O bacana é que, ao mesmo tempo em que discute as mudanças nas formas de produção e circulação da cultura pelas redes digitais, o filme é também um experimento, na medida em que documenta a busca por uma licença livre para sua própria distribuição. É apresentado todo o percurso pela burocracia do direito autoral espanhol, com consulta a advogados especializados, a fim de liberar item por item da produção – como o trabalho de cada parte da equipe e ainda a complicada liberação dos direitos da televisão co-produtora. Assim, são mostradas as dificuldades e soluções encontradas em cada etapa que, no final, possibilitaram a distribuição do filme por uma licença Creative Commons BY-NC.

O processo de produção do documentário está registrado em detalhes no blog ¡Copiad, Malditos!. Um dos seus pontos altos é a compilação das respostas que pessoas com os mais diferentes pontos de vista deram à pergunta “O que significa para você a palavra copiar?”. Para José Manuel Tourné, diretor geral da Federación para la Protección de la Propiedade Intelectual, como seria de se esperar, “copiar é o contrário de criar”. Enquanto que para Blas Garzon, da editora Traficantes de Sueños, “copiar é a parte essencial de como está construída a cultura”. Um bom resumo das ideias que estão por trás da disputa entre o antigo e o novo paradigma de circulação da cultura na sociedade.

Assista abaixo ao documentário, em espanhol.

Fiquei sabendo deste filme pelo excelente Baixa Cultura, coletivo brasileiro que discute e divulga experiências ligadas à cultura livre e cultura digital. Aliás, esse blog é leitura obrigatória para quem quer acompanhar esses temas.

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Arquivado em Creative Commons, Cultura livre, Direito Autoral, Propriedade intelectual

História do software livre

Este é documentário Revolution OS, que conta a história dos hackers que se rebelaram contra o modelo de software proprietário e criaram o GNU/Linux, um sistema operacional aberto e principal concorrente do Windows em nível mundial.

O filme traz entrevistas com vários mitos do mundo geek, como Richard Stallman, criador do GNU e da Free Software Foundation, e Linus Torvalds, o cara que iniciou o projeto Linux. Além de pesquisadores como Eric Raymond, escritor do célebre livro “A Catedral e o Bazar”, que aborda o modo de produção dos programas de código aberto.

O vídeo tem legendas em português.

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História da cultura digital brasileira

Posto aqui mais um vídeo que mostra a vitalidade da política cultural do governo Lula, nas gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira.

Neste aqui, produzido por Cardes Amâncio da Avesso Filmes, a ênfase é na cultura livre: a livre circulação dos bens intelectuais e a possibilidade de todos serem também produtores de cultura. Potencializando, assim, a formação de uma multidão de agentes criadores, e críticos, que coloca em xeque os antigos modelos de comunicação e produção cultural centralizada.

A ideia de produzir este vídeo surgiu no Fórum de Cultura Digital de 2010, como uma forma de registrar a história da cultura digital brasileira. Além dele, com a mesma proposta, foram produzidos mais quatro vídeos, entre eles o Remixofagia já postado aqui no blog.

Conheça os demais clicando aqui.

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Remixofagia – A cultura é de todos

O vídeo “Remixofagia – Alegorias de uma revolução” mostra em pouco mais de 15 minutos a riqueza e a potencialidade do trabalho que estava sendo feito pelo Ministério da Cultura no governo Lula, primeiro com Gilberto Gil e depois com Juca Ferreira. Gestões antenadas com as novas tecnologias de comunicação, ao mesmo tempo em que resgatavam o espírito antropofágico da cultura brasileira. O resultado: uma multidão de agentes culturais produzindo e trocando pelo vasto território nacional através dos Pontos de Cultura.

O vídeo pode ajudar a entender o que está por trás da disputa em torno da política do atual MinC, com Ana de Hollanda à frente, que privilegia a cultura como negócio produzido pelas indústrias cultural e criativa. Falam agora em levar cultura ao povo, defendem uma cultura de elite, profissional, em contraste com a cultura “amadora” gerada pelo próprio povo. São dois entendimentos opostos sobre o que é cultura e, acima de tudo, sobre o que um governo do Partido dos Trabalhadores, portanto de perfil popular e social, deva fazer nesse campo.

Vale ver e divulgar!

Remixofagia – Alegorias de uma revolução from FLi Multimídia on Vimeo.

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Lawrence Lessig – o copyright inibe a criação

Compartilho aqui uma breve palestra de Lawrence Lessig, autor do livro Cultura Livre, entre outros, e também criador do Creative Commons, assunto dos últimos posts. A palestra faz parte série de conferências TED e traz um resumo de suas ideias sobre o valor do compartilhamento dos bens intelectuais para o desenvolvimento da cultura.

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Remix – uma antiga novidade

As tecnologias digitais popularizaram a prática da criação coletiva que existe desde sempre.

Os trovadores da Antiguidade já recriavam os versos que recitavam, colocando sempre algo de seu naquilo que vinha da tradição cultural. Num movimento constante em que a tradição era sempre revista, atualizada, por cada declamador. E a criação, fluida.

Com a escrita os versos tenderam a se fixar no papel. Mesmo assim, em muitos casos, antes de chegarem ao papel eram gerados num tipo de criação coletiva, feita de atualizações da tradição.

Há pesquisas que afirmam que assim foi com Ilíada e Odisséia, versos da cultura popular que foram registrados por Homero, e também com Romeu e Julieta e tantas outras obras de Shakespeare, que as teria colhido tradição oral, por definição feita de uma memória coletiva sempre em movimento. O mesmo com os contos de Andersen e por aí vai.

Então quando hoje presenciamos o fenômeno da cultura do remix, largamente disseminada pela rede, há uma certa tendência de ver ali uma grande novidade, quando o que se dá de fato é uma atualização, pelos recursos da mídia eletrônica, de algo que em certa medida sempre existiu: a criação de obras derivadas de outras obras.

Esta ideia é interessante para repensar a crença de que sem o estatuto do direito autoral a criação deixaria de existir por falta de incentivo ao autor. Não é verdade. Porque a humanidade sempre criou, mesmo quando não havia o direito autoral ou a propriedade intelectual. E também porque continua criando e inventando novos modelos de negócio que independem de uma legislação de proteção de uso da obra tão restritiva.

Sobre esta questão, já publiquei aqui o artigo do Guilherme Carboni, Quem tem medo da Reforma?

O vídeo A Remix Manifesto faz um grande apanhado sobre a cultura do remix na música, apresentando especialmente o caso do DJ Girl Talk e discutindo toda a repercussão dessa prática na indústria cultural. Traz inclusive exemplos brasileiros, como o Tecnobrega. Abaixo a primeira parte no Youtube:

Um exemplo muito legal da dinâmica da cultura remix na rede é essa seqüência feita por Volker Grassmuck, um pesquisador alemão que atualmente está dando aula como professor visitante na USP, sobre o caso Double Rainbow, um vídeo caseiro que se transformou em viral, teve mais de 3 milhões de hits em oito dias, e serviu de inspiração para uma série de remix, nos mais variados estilos. Clique aqui para conferir.

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Good Copy Bad Copy

Sobre a cultura do remix e os direitos autorais, um documentário imperdível com entrevistas com o DJ Girl Talk,  o produtor nigeriano Charles Igwe, o presidente da International Federation of the Phonografic Industry, John Kennedy, Lawrence Lessig, o criador do Creative Commons, Ronaldo Lemos, da FGV, entre outros, mostrando a tensão existente entre as novas formas de produção cultural e os interesses da indústria cultural.

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