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Lançamento do livro Autoria em Rede, dia 19/08

Depois de quatro anos de pesquisa e mais alguns meses de edição, atualização e revisão, acaba de sair do forno o meu livro “Autoria em Rede: os novos processos autorais através das redes eletrônicas”, pela Editora Mauad X.

Convido todos para o lançamento na próxima terça-feira, dia 19 de agosto, a partir das 19h30, na Blooks Livraria, Praia de Botafogo, 316, Rio de Janeiro.

AUTORIA-EM-REDE-CONVITE

Segue um breve resumo:

As atuais publicações eletrônicas podem ser produzidas por uma multidão de pessoas, dispersas pelos mais diversos cantos do planeta. Mais que isso, em muitos casos, seu processo criativo conta com a participação de robôs e algoritmos. Este livro busca iluminar esse fenômeno recente através da perspectiva histórica. Para isso, faz um percurso pelos diferentes modelos autorais da cultura ocidental, desde a Antiguidade até os tempos atuais, a fim de identificar suas inflexões e apontar suas perspectivas futuras. Ao lado da pesquisa histórica, explora também a especificidade da linguagem digital, que proporciona os atributos da conectividade e interatividade, tão essenciais para a produção colaborativa em rede e aborda ainda, os desafios trazidos pelo novo modelo autoral, que envolve o amplo compartilhamento de dados, abalando profundamente as normas vigentes de propriedade intelectual. Por último, alguns estudos de caso, entre eles a Wikipédia, servem de complemento às pontuações teóricas.

Quem estiver pelo Rio, apareça!

O livro está à venda também pela Internet, nas grandes livrarias ou pelo site da Mauad X Editora.

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Arquivado em Autoria Colaborativa, Cibercultura, Commons, História da autoria, Linguagem Digital

Tirar do ar o blog Livros de Humanas foi, além de tudo, burrice

Em mais um episódio de embate entre a ampla circulação do conhecimento e da cultura e os mecanismos de controle de sua distribuição pelos parâmetros da propriedade intelectual, saiu do ar na semana passada (17/05) o blog de compartilhamento de publicações científicas Livros de Humanas, devido a uma ação de perdas e danos movida pela Associação Brasileira dos Direitos Reprográficos (ABDR). Fora as importantes implicações políticas desta questão, afinal a iniciativa tinha como objetivo maior a democratização do conhecimento, vale ressaltar que a estratégia da ABDR foi, além de tudo, estreita e burra.

O Livros de Humanas, criado em 2009 por um estudante da USP, disponibilizava para download gratuito cerca de 2.500 títulos, entre livros e artigos, das áreas de filosofia, antropologia, teoria literária, ciências sociais, história, psicanálise etc. Muitos deles já esgotados ou de difícil acesso. Nem é preciso argumentar sobre a importância de um projeto como este para viabilizar a vida acadêmica de milhares de estudantes. Em entrevista ao jornal O Globo, o criador do blog dá uma ideia da importância do serviço que o blog oferecia: “Pelos e-mails de pedidos que eu recebia dava para traçar um perfil mínimo: são estudantes de universidades brasileiras com péssimas bibliotecas”.

Leia a entrevista do criador do blog no jornal O Globo

Na entrevista, um dado chama a atenção: enquanto grandes editoras, como a Companhia das Letras, praticamente ignoravam a existência do projeto, editoras pequenas, como a Sulina, reclamavam e ameaçavam entrar com medidas contra o blog. Como interpretar esta diferença de comportamento? Pode-se argumentar que a grande editora não se importa porque já tem seus lucros garantidos pelo volume de vendas. Mas não seria exatamente o contrário? Pelo volume de vendas ser maior, suas perdas também seriam mais expressivas.

A explicação pode estar em padrões de comportamento que começam a ser percebidos por pessoas que fazem parte dessa cadeia produtiva. Ao comentar o episódio, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, um dos mais renomados acadêmicos em sua área e autor de vários livros, postou na sua conta do Twitter: “Nunca vendi tantos livros (nunca foram muitos, mas enfim) como depois que meus livros entraram nas bibliotecas públicas da rede”. E acrescentou “jamais COMPREI tanto livro como depois que pude começar a baixar livros GRATUITAMENTE pela rede”. Na mesma linha, o maior vendedor de livros do País, o escritor Paulo Coelho, admitiu que deixava seus livros vazarem na rede com o objetivo de divulgá-los. Ele conta que percebeu, por exemplo, que as vendas de seus livros aumentaram na Rússia logo depois que foram disponibilizadas cópias em russo para download gratuito.

É o que tem acontecido na área da música. Pesquisa divulgada recentemente constatou que o download de música em sistemas de compartilhamento de arquivos contribui para o aumento da venda de álbuns. A investigação conduzida pelo economista Robert Hammond, professor assistente da Universidade do Estado de Carolina do Norte, EUA, coletou dados estatísticos referentes a 1.095 novos álbuns que estiveram disponíveis, entre maio de 2010 e janeiro de 2011, no maior sistema de BitTorrent dedicado à música. Estes dados foram posteriormente comparados com os números de vendas. As conclusões do estudo indicam que a pirataria funciona como uma forma de publicidade, parecida com aquela feita pelo rádio ou pelas campanhas de mídia, que incrementa moderadamente as vendas.

Leia mais sobre a pesquisa

A forma como o conhecimento e a cultura circulam na sociedade efetivamente já mudou. Outra pesquisa recente, “Download de músicas e filmes no Brasil: Um perfil dos piratas online”, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), estima que 41% dos internautas brasileiros poderiam ser classificados como “piratas” em 2010. Isto quer dizer que quase a metade das pessoas que acessam a internet no país tem o compartilhamento de arquivos como uma prática social legítima.

Confira o comunicado do IPEA

Não seria mais inteligente, portanto, que as editoras começassem a trabalhar com esses dados para buscar novas formas de negócio que inclua a livre circulação de bens intelectuais? Aproveitar a rede como um meio de divulgar as obras e, quem sabe, caprichar nas edições físicas desses produtos para incentivar as compras? Enfim, as alternativas são várias, ainda estão sendo testadas, muitas vezes com sucesso. O governo suíço, por exemplo, libera o compartilhamento de arquivos de bens culturais pela internet com o argumento de que o dinheiro economizado ao não comprar CDs e DVDs é gasto em outros produtos culturais como concertos e cinema, alimentando de outros modos a chamada economia criativa. (Leia matéria sobre o assunto).

Burrice é ficar dando murro em ponta de faca, tentar deter o fluxo da torrente de informação com artifícios, tecnológicos ou legais, que mais cedo ou mais tarde vão fracassar. Prova disso é que conseguiram tirar do ar o Livros de Humanas, temporariamente, mas os arquivos continuam em circulação. O acervo do blog (ainda) pode ser baixado aqui.

Mais links relacionados:

Blog Direito de Acesso, em apoio ao Livros de Humanas (saiu do ar)

Moção de apoio ao Livros de Humanas

Infelizmente, não é só no Brasil que isso acontece – The disappearing virtual library

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Arquivado em Cultura livre, Direito Autoral, Novos negócios, Pirataria, Propriedade intelectual

Livros sobre cibercultura pra baixar

A vantagem de se pesquisar a cibercultura – e especialmente a cultura livre na rede – é que existem vários livros que podem ser baixados de graça, alguns dele de fato fundamentais.

Este é o caso dos livros do Lawrence Lessig, como Free Culture (que já tem tradução para o português) e The Future of Ideas (infelizmente não está mais disponível para baixar). Fundador do Creative Commons, Lessig defende a flexibilização do direito autoral para o desenvolvimento tecnológico e cultural.

Outro livro seminal é Wealth of Networks, de Yochai Benkler, que traz um trabalho de fôlego sobre a economia das redes e o valor do compartilhamento nesse contexto.

Na mesma linha, Futuros Imaginários – das máquinas pensantes à aldeia global, de Richard Barbrook, investe numa abordagem mais política da questão. Um dado interessante é que o livro foi traduzido de forma colaborativa pelo grupo des).(centro., como uma forma de exercitar o processo colaborativo que Barbrook defende.

Uma leitura a meu ver imprescindível é Cultura Digital BR que traz insights de pesquisadores e figuras públicas, montando um quadro diversificado e rico do pensamento e da ação nessa área no País.

Outro dia procurando um artigo no Google, achei uma pérola: Capitalismo Cognitivo, propiedad intelectual y creación colectiva , com artigos de Yann Moulier Boutang, Maurizzio Lazzarato, Antonella Corsani e outros. Eles têm na minha opinião a visão mais acurada do fenômeno da economia do conhecimento que está por trás da grande mudança que estamos vivendo hoje na produção e circulação dos bens culturais na sociedade.

Um dos mais inspirados, e que gosto muito, é o Livro depois do Livro, de Giselle Beiguelman, que pensa as possibilidades da interface digital para além da tradição gráfica impressa, ainda bastante presente nos projetos hipertextuais.

Ainda vale destacar, entre os pesquisadores brasileiros: Além das Redes de Colaboração – internet, diversidade cultural e tecnologias do poder, organizado por Nelson De Luca Pretto e Sergio Amadeu; Comunicação e Mobilidade – aspectos socioculturais das tecnologias móveis de comunicação no Brasil, organizado por André Lemos e Fabio Josgrilberg; Redes Sociais na Internet, de Raquel Recuero; e Blogs.com – Estudos sobre Blogs e Comunicação, organizado por Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo.

Há tempos tenho essas referências, e achei que seria útil criar uma lista na barra de links do blog pra facilitar a vida de quem também se interessa pelo tema. Na coluna da direita, em Livros para Baixar, você encontra mais alguns deles.

(Este post foi atualizado em 24/06/2013. Vários links estavam obsoletos e alguns livros não estão mais disponíveis para download. Mantive de toda a forma a referência, pois eles podem ser adquiridos, por quem tiver interesse, na Amazon.)

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