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Mudamos: o site Em Rede está no ar!

Já faz um tempo que não escrevo por aqui. Mas foi por um bom motivo: estava desenvolvendo o site Em Rede, um espaço maior e mais bem estruturado para reflexão e discussão de temas como Cultura Livre, Remix, Ciência Aberta, Economia P2P, Política em Rede e outros assuntos que têm a ver com os tempos atuais das redes eletrônicas.

Na verdade, considero o novo site um upgrade deste blog aqui, onde pude escrever sobre todos esses assuntos e alguma coisa mais, e que foi um espaço muito importante para dialogar e encontrar interlocução durante minha pesquisa de doutorado. Aliás, um dos interlocutores mais constantes do blog me acompanha nessa empreitada: Reynaldo Carvalho assina uma coluna permanente sobre Remix e temas afins.

Agora dei um passo adiante, em uma plataforma com mais recursos e mais bem planejada para poder aprofundar o debate sobre as transformações que estamos vivendo com o advento do paradigma digital e a expansão da produção colaborativa entre pares, seu potencial e seus desafios.

A edição de lançamento traz uma entrevista com o professor e ativista Sergio Amadeu, que alerta para a maior ameaça à liberdade na rede atualmente no País: o Congresso Nacional controlado por diversos lobbies que já conseguiram emplacar vários projetos de lei que, se aprovados, representarão tremendo retrocesso aos avanços estabelecidos pelo Marco Civil da Internet.

Outro tema em destaque é o debate em torno da Economia do Compartilhamento x Cooperativismo de Plataforma, ou por que o Uber e o Airbnb não representam a economia colaborativa. Além de outros posts sobre Internet Livre e Ciência Aberta, o site traz ainda indicações de leitura e divulgação de cursos e chamadas para congressos e publicações.

O novo espaço está lançado e minha expectativa é que possa, aos poucos, ser ocupado por todos os que tenham interesse nessas questões e vontade de trocar ideias. Fica o convite para pesquisadores, ativistas e cidadãos comuns que queiram entrar na roda e contribuir, com comentários, sugestões ou posts (vale textos, imagens, vídeos etc.), para irmos levando essa conversa.

Espero sua visita!

www.em-rede.com

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30/05, exibição do filme Freenet? na ECO/UFRJ

Freenet?, o filme

Esta é para quem mora no Rio de Janeiro: na próxima segunda-feira, 30/05, haverá exibição do filme Freenet? na Escola de Comunicação da UFRJ, por iniciativa do professor Jonas Federman.

Eu participo do debate após a exibição ao lado da professora Fernanda Bruno, que tem vasta pesquisa sobre vigilância na rede.

Entrada franca. Estão todos convidados!

Mais informações sobre o filme, no post anterior.

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Acta Media 11 – Lisboa, Coimbra e São Paulo

Estou arrumando as malas, literalmente, para participar do Acta Media 11 – Simpósio Internacional de Artemídia e Cultura Digital Lusotopia na MediaPolis: Linguagens e Tecnologias, que terá edições em Lisboa (14 e 15/11), Coimbra (18 e 19/11) e São Paulo (3 e 4/12).

Cartaz Simposio ACTA MEDIA XI - 100

Uma breve apresentação do simpósio:

O tema do Acta Media 11 – Lusotopia na MediaPolis: Linguagens e Tecnologias – aborda a ação e o impacto das mídias digitais na sociedade lusófona atual. Pesquisadores, acadêmicos e artistas de diversos países de língua portuguesa estarão se reunindo, presencial e virtualmente, para elaborar o futuro utópico da lusofonia, apresentar e debater trabalhos tecno-científicos, a partir do conceito de MediaPolis – essa cidade de silício que existe através das mídias digitais.

O simpósio busca, por meio de diferentes registros impressivos e expressivos em língua portuguesa, um traço comum a vincular cidadãos e agentes de um novo território virtual da comunidade lusófona.

Perguntamo-nos de que modo a revolução tecnológica digital se dissemina e transforma a luso-esfera. Indagamos como a comunidade lusófona pode tornar-se um veículo de pensamento para o digital.

Os desdobramentos dessa temática relacionam as Comunidades Virtuais e as Mídias Digitais a diversas disciplinas, especialmente Linguística, Literatura, Filosofia, Arte/Estética, Ciências Políticas, Antropologia, Comunicação e Geografia, dentre outras co-relacionadas.

Baixe aqui a programação detalhada.

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O Pirate Bay resiste!

Na batalha pela livre circulação de bens intelectuais na rede, The Pirate Bay (TPB) ocupa certamente um dos lugares de destaque. Criado na Suécia em novembro de 2001, é o mais visitado diretório de BitTorrent do mundo.

Assim como no caso do Napster, a indústria cultural recorreu à justiça para tentar impedir seu funcionamento, alegando violação de direito autoral.

No primeiro caso, a indústria fonográfica foi bem sucedida e, como se sabe, o Napster não resistiu a uma série de ações legais e foi fechado em março de 2001. Na prática, seu fechamento não mudou muita coisa, pois simultaneamente vários outros programas foram criados para o compartilhamento de arquivos, como WinMX, Kazaa, eDonkey, Morpheus e Audiogalaxy.

De todos, o Bit Torrent foi o que conseguiu melhor resultado. A tecnologia torrent permite o descarregamento de arquivos em partes, o que torna o download mais rápido e, por isso, possibilita a transferência de grandes arquivos.

O funcionamento do sistema é outro aspecto importante: os arquivos torrent contêm metadata que serve como guia de sua localização na rede. E aí entra o servidor tracker, como o Pirate Bay, que localiza determinado arquivo na rede e faz a mediação entre quem busca e quem tem disponível para download.

Desde fevereiro de 2012, no entanto, o TPB mudou o sistema de localização de arquivos, substituindo o torrent por links magnéticos, a fim de economizar espaço e evitar problemas legais. Clique aqui para ver como eles funcionam.

O Pirate Bay tem conseguido resistir às investidas legais da indústria do copyright e continua no ar até hoje. Não é fácil processar o site, pois ele faz apenas a mediação entre os interessados nos arquivos. Durante um tempo, foi relativamente simples migrar seus servidores para diferentes países, a fim de fugir do cerco da propriedade intelectual.

Porém, há dois anos, o serviço foi totalmente transferido para as nuvens, onde roda atualmente  em 21 máquinas virtuais.  Foi a saída encontrada para evitar novas operações policiais que pudessem apreender os servidores. Confira, no site do Partido Pirata brasileiro, os detalhes técnicos para manter o site no ar.

O documentário “TPB AFK: The Pirate Bay Away From Keyboard” acompanha os três fundadores do Pirate Bay – Frederik Neij, Gottfrid Svartholm Warg e Peter Sunde – durante o processo movido por um consórcio reunindo os estúdios de Hollywood e a indústria fonográfica, de 2009 a 2012.

Interessante acompanhar os depoimentos, especialmente a fala do professor Roger Wallis, pesquisador de multimídia, que defende que quem compartilha pode também comprar o bem, mas exige um maior aprimoramento dos produtos oferecidos pela indústria. Segundo suas pesquisas, o download em certos casos pode contribuir com a divulgação e, consequentemente, com a venda do produto.

Leia mais sobre o depoimento de Wallis aqui.

Ou as falas de Peter Sunde, que tem uma visão mais politizada do papel do TPB na cultura digital e acusa a indústria cultural de querer criminalizar a internet.

Em tempo: os três foram condenados, cada um a diferentes períodos de prisão (até o máximo 12 meses), além de multa. Mas a luta continua. Existe uma campanha, com apoio do Partido Pirata Sueco e outros, contra a condenação.

O vídeo tem legenda em português, mas é preciso ativá-la na barra inferior, no terceiro ícone, da esquerda para a direita.

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Lançamento do livro Autoria em Rede, dia 19/08

Depois de quatro anos de pesquisa e mais alguns meses de edição, atualização e revisão, acaba de sair do forno o meu livro “Autoria em Rede: os novos processos autorais através das redes eletrônicas”, pela Editora Mauad X.

Convido todos para o lançamento na próxima terça-feira, dia 19 de agosto, a partir das 19h30, na Blooks Livraria, Praia de Botafogo, 316, Rio de Janeiro.

AUTORIA-EM-REDE-CONVITE

Segue um breve resumo:

As atuais publicações eletrônicas podem ser produzidas por uma multidão de pessoas, dispersas pelos mais diversos cantos do planeta. Mais que isso, em muitos casos, seu processo criativo conta com a participação de robôs e algoritmos. Este livro busca iluminar esse fenômeno recente através da perspectiva histórica. Para isso, faz um percurso pelos diferentes modelos autorais da cultura ocidental, desde a Antiguidade até os tempos atuais, a fim de identificar suas inflexões e apontar suas perspectivas futuras. Ao lado da pesquisa histórica, explora também a especificidade da linguagem digital, que proporciona os atributos da conectividade e interatividade, tão essenciais para a produção colaborativa em rede e aborda ainda, os desafios trazidos pelo novo modelo autoral, que envolve o amplo compartilhamento de dados, abalando profundamente as normas vigentes de propriedade intelectual. Por último, alguns estudos de caso, entre eles a Wikipédia, servem de complemento às pontuações teóricas.

Quem estiver pelo Rio, apareça!

O livro está à venda também pela Internet, nas grandes livrarias ou pelo site da Mauad X Editora.

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A auto-gestão do comum

Neste post vou abordar brevemente outra obra de interesse para os estudos de cibercultura: o livro Governing the Commons: The Evolution of Institutions for Collective Action, de Elinor Ostrom (1933-2012), cientista política norte-americana, ganhadora do Prêmio Nobel de Economia em 2009.

Clique aqui para baixar o livro.

Ostrom se dedicou ao estudo da ação coletiva na gestão de recursos comuns, com ênfase nas estratégicas de auto-organização. Neste livro seminal, ela aborda casos de governança de bens comuns como, por exemplo, o manejo da pastagem no Japão e na Suíça e os sistemas de irrigação em comunidades das Filipinas, a fim de identificar práticas e critérios que favoreceram sua sustentabilidade.

Na sua visão, o sucesso na auto-gestão de comunidades cooperativas depende de alguns princípios norteadores, entre eles:

1. Limites claramente definidos da comunidade envolvida;
2. Regras claras sobre apropriação e provisão de recursos comuns, adaptadas às condições locais;
3. Acordos coletivos que permitem que a maioria participe do processo de tomada de decisão;
4. Monitoramento do comportamento dos participantes;
5. A escala de sanções graduais para quem viole as regras comunitárias;
6. Mecanismos de resolução de conflitos de fácil acesso.

Em minha pesquisa de mestrado, na qual analisei o website Slashdot, recorri aos seus estudos para pensar a auto-organização daquela comunidade virtual. De fato, pude observar ali a existência da maioria dos princípios elencados por Ostrom. Na época, o que mais me chamou a atenção foi identificar um sistema de monitoramento distribuído na gestão de uma comunidade hacker baseada na colaboração. Sua obra me ajudou a perceber o papel do controle para o sucesso da cooperação. Daí me veio o título da dissertação: “Cooperação e Controle na rede: um estudo de caso do website Slashdot.org.

O importante a ressaltar é como sua obra pode servir a projetos e experiências de auto-organização na gestão de bens comuns, no ambiente virtual ou físico, como uma orientação para se pensar em estratégias para a sustentabilidade dessas iniciativas.

Para conhecer um pouco mais do pensamento de Elinor Ostrom, vale assistir a esta entrevista, concedida em 2010, ao programa Sem Fronteiras.

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Entrevista ao Outro Olhar

Esta semana foi ao ar a entrevista que dei ao programa Outro Olhar da TV Comunitária do Rio de Janeiro, apresentado pelo jornalista Moysés Chernichiarro Corrêa. O gancho para o programa foi o texto que publiquei aqui no blog sobre a cobertura das manifestações feita em tempo real por jornalistas ativistas, como no caso da Mídia Ninja, e os impactos disso ao jornalismo corporativo. Falei também sobre várias transformações trazidas pelo advento das redes digitais, como o desenvolvimento de plataformas de participação direta e de projetos de autoria interativa, entre outros temas relacionados à cibercultura.

Abaixo, você pode assistir à entrevista que tem cerca de 20 minutos. Ou, se preferir, pode ver o programa na íntegra clicando aqui.

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