Anotações sobre registro dos HS na rede

Anotações sobre o registro dos hackerspaces na rede, em sites, páginas ou grupos no Facebook e listas no Google Groups.

Depois de uma checagem mais profunda nos links dos espaços, em 24/07/2017, 23 hackerspaces foram identificados como ativos, sendo que um deles (HackLab Itajaí) ainda depende de confirmação.

Destes, 14 têm sites, oito têm apenas páginas no Facebook e um tem apenas grupo no Facebook.

Pelas informações encontradas nesses registros é possível saber que pelo menos 13 deles têm espaço próprio para reuniões (o número pode ser maior, pois vários não trazem essa informação): 0xe Hacker Club, Baia Hacker, Calango Hacker Club, Carioca Hackerspace, CG Hackspace, Garoa Hacker Clube, Laboratório Hacker, Laboratório Hacker de Campinas (LHC), Mandacaru Hackerspace, MateHackers, Raul Hacker Club, Tarrafa Hackerspace, Teresina Hacker Clube.

Dos que têm site, a maior parte deles não é muito atualizado ou não tem muita informação detalhada.  O Garoa tem o site mais completo, mas algumas informações, como as sobre equipamentos e projetos estão bastante desatualizadas: último registro em janeiro de 2014 e em dezembro de 2013, respectivamente. A maior parte deles traz informações de atividades ligadas a desenvolvimento de software e hardware (encontros, oficinas, reuniões, palestras etc.).

O Garoa foi o primeiro hackerspace brasileiro e é notória sua influência na criação de outros espaços, colaborando para a definição de um padrão de tipo de atividades desenvolvidas nesses locais. No entanto, existem também alguns hackerspaces no Pais que apostam em projetos diversos, alguns bem diferentes desse modelo, como apontamos abaixo.

Algumas observações específicas:

O Área 31, em Belo Horizonte, é o mais fechado: só aceita participantes indicados por outro participante que esteja ativo há mais de um ano e tem alguns projetos secretos.

O Maria Lab se denomina hackerspace embora não tenha um espaço próprio e tenha natureza mais itinerante, reunindo-se em diferentes espaços e eventos. Sua atuação é especialmente voltada para mulheres e meninas que se interessam por tecnologia.

O Garoa foi o primeiro hackerspace criado no país, situado em São Paulo, é o mais bem estruturado, tem uma sede ampla com uma grande variedade de atividades:  desenvolvimento de software, redes, uso de hardware, engenharia elétrica, robótica, segurança da informação, biohacking, food hacking, arte digital e até tricô.

A Baia Hacker, em Itu/SP, é o que tem maior articulação com outras atividades e empreendimentos na cidade. Faz referência ao conceito de Ciência Aberta e tem interesse por pesquisas que envolvem preocupação ecológica, como permacultura, monitoramento do meio ambiente, reciclagem, tecnologias DIY relacionadas à água etc.

O Teresina Hacker Clube é o que expressa maior viés ativista e social. Tem poucos projetos em desenvolvimento, apenas seis, e quatro deles têm esse viés: Salve o Angico, mobilização para preservação de uma árvore da região; Peba, monitoramento dos gastos dos deputados federais; Mão Amiga, desenvolvimento de prótese; e Hack na Veia, doação de sangue. Tem também atividades de tecnologia para mulheres.

O Calango, em Brasília, menciona atividades ligadas ao meio ambiente como o projeto Monitora Cerrado, de desenvolvimento de um sistema de monitoramento climático distribuído, e participou de grupo de ativistas em torno do desastre no Rio Doce. Tentei obter mais informações sobre essa última iniciativa mas ainda não consegui.

O Raul Hacker Club, em Salvador/BA, tem projetos voltados à cidadania: evento Cidadania Hacker, Instrumentalização Tecnológica para privacidade de ativistas. Projeto Crianças Hacker – educação tecnológica para crianças.

No MateHackers, em Porto Alegre, existe um GT Democracia, Transparência e Sociedade. Embora as atividades nem sempre tenham um objetivo concreto além da experimentação, chegaram a desenvolver o aplicativo Descartar, para ajudar a descobrir como e onde descartar materiais que precisam ter um descarte apropriado, diferente do lixo comum.

Deste conjunto, pelas informações que obtive, os que mais dialogam com minha questão de pesquisa são a Baia Hacker Clube, que se articula com diversos outros empreendedores na sua região, e o Teresina Hacker Clube que na definição de seus objetivos aponta para utilização do conhecimento “para a superação de um problema de ordem social, política ou econômica, preferencialmente os problemas regionais”.