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Por que o Uber não é parte da economia colaborativa

O Uber, serviço de transporte particular através de um aplicativo para celular, tem gerado grande polêmica ultimamente. Por um lado, os criadores do aplicativo argumentam que o objetivo é conectar passageiros e motoristas particulares, sendo mais uma opção de transporte urbano. De outro, os taxistas que se veem ameaçados por um serviço concorrente que não está sujeito às mesmas regras e exigências.

Em várias grandes cidades do mundo, inclusive São Paulo e Rio de Janeiro, os taxistas têm organizado protestos contra a novidade. Por conta disso, há hoje uma batalha legal entre decisões governamentais para proibir o serviço e ações na Justiça para liberá-lo.

No meio desse conflito, surge o argumento de que o Uber seria parte de uma nova economia colaborativa nascente e que, portanto, teria alguma qualidade positiva inerente. É fato que o Uber consegue se estabelecer porque o serviço de táxi, no Brasil com certeza, é muito precário em vários sentidos – qualidade do carro; educação do motorista com o cliente e no trânsito; disponibilidade para corridas “ruins” etc etc. No entanto, é preciso demarcar bem a diferença entre um serviço que usa a rede para conectar profissionais autônomos e clientes e a chamada economia baseada na colaboração.

O Uber tem vários pontos nebulosos: o aplicativo fica com 20% do valor de todas as corridas, mas não se responsabiliza por nada que possa ocorrer, como acidentes ou conflitos entre motorista e passageiro. As regras são estabelecidas pelos administradores do aplicativo, que podem alterá-las como e quando quiser, já que não são regidos por legislação específica. Os motoristas são autônomos, todas as despesas com carro e seguro são por sua conta e não têm nenhum vínculo trabalhista com a empresa.

Nessa mesma linha, outras start-ups têm surgido e vão ganhando essa aura “colaborativa do bem”, que não corresponde exatamente aos fatos. É o caso do Airbnb, um site para conectar residentes e viajantes, para o aluguel de imóveis ou quartos em mais de 190 países. Sem dúvida, representa uma inovação na geração do serviço, gerando novas oportunidades para os dois lados. Mas totalmente diverso é o Couchsurfing, genuinamente colaborativo ou peer-to-peer ( parceiro a parceiro), que conecta também residentes e viajantes em todo mundo (10 milhões de pessoas em 200 mil cidades), num sistema de trocas: hoje você hospeda alguém, depois quando viaja fica na casa de alguém, num conceito que envolve compartilhar experiências e conhecimentos, sem pagamento de hospedagem.

Do mesmo modo, tem surgido aplicativos de carona P2P, como o carioca Caronaê, lançado por estudantes para organizar e integrar as caronas para a campus da UFRJ na Ilha do Fundão, que é distante e com transporte público deficiente. O projeto venceu o concurso Soluções Sustentáveis Fundo Verde, já que aumenta a taxa média de ocupação de veículos e diminui o trânsito e a emissão de gases poluentes, e recebeu um investimento de R$ 200 mil para o seu desenvolvimento. Aí sim podemos falar em aplicativo colaborativo que contribui para a melhoria da mobilidade urbana.

Enfim, nesse novo mundo conectado existem muitas novidades. Algumas se relacionam com uma mudança de paradigma na economia, valorizando a troca entre parceiros com a consolidação de um bem comum compartilhado por todos, questionando as noções tradicionais de propriedade e remuneração – como escrevi aqui. Outras iniciativas são inovações, novos modelos de negócios, que podem apresentar boas soluções para algumas questões pontuais da economia, mas que estão inseridas na mesma lógica capitalista, e podem também repetir as mesmas práticas de exploração do trabalho e expropriação do comum. Para quem se interessa pela economia colaborativa P2P, como forma de superar algumas contradições do modelo capitalista, é importante saber distinguir as duas coisas.

Algumas indicações de leitura sobre o tema:

Disrupting the cab: uber, ridesharing and the taxi industry

Stop Saying Uber Is Part Of The Sharing Economy

Como socializar o Uber

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Da Ciência Aberta à Ciência Comum

Já escrevi algumas vezes aqui no blog sobre Ciência Aberta, uma prática emergente em pesquisa científica na qual tanto os dados brutos quanto os resultados das investigações são divulgados publicamente, sem a preocupação com o registro de patentes.

Essa dinâmica permite que diferentes centros de pesquisa possam colaborar entre si, privilegiando o avanço do conhecimento sobre a pontuação acadêmica, pela publicação de artigos, ou a mercantilização do produto, via patentes.

Tem alguns exemplos neste post aqui.

A princípio, comparei esse modelo de pesquisa científica com a produção de software livre. No entanto, pesquisando mais sobre o assunto, percebi que algumas características importantes são diferentes.

Em primeiro lugar, a Ciência Aberta é uma prática claramente restrita à comunidade científica, isto é, aos portadores de títulos que os autorizam a produzir conhecimento válido. Já na comunidade hacker, não há pré-requisito de titulação para participação, somente habilidade e competência no desenvolvimento do programa.

Sendo assim, se formos pensar em uma Ciência inspirada na cultura hacker,seria preciso que outros conhecimentos fosse validados, por exemplo: os saberes tradicionais; o conhecimento produzido por cidadãos; as experiências nos chamados hacklabs, que reúnem pessoas, especialistas ou não, interessadas em pesquisas científicas etc.

Uma questão talvez ainda mais importante, que ainda não é contemplada pelas iniciativas de Ciência Aberta, é o entendimento do conhecimento como commons. Isto é, algo que é e deve permanecer como um bem comum, que não possa ser apropriado nem pelo estado nem pelo mercado.

O professor Antonio Lafuente, pesquisador do Centro de Ciencias Humanas y Sociales, na Espanha, e coordenador do Laboratorio del Procomún do MediaLab Prado, em Madri, é uma das referências no pensamento sobre a Ciência Comum.

Para ele, o conceito de Ciência Comum vai além das noções de Ciência Aberta ou de Ciência Pública, disponível para todos. É, na verdade, a produção do conhecimento entre todos. Para isso, deve poder ser feita por todos, sem exigência de credenciais acadêmicas.

Embora reconheça alguns avanços no modelo de Ciência Aberta, Lafuente destaca sua vulnerabilidade, já que provavelmente seus maiores beneficiários são as grandes corporações que têm a capacidade de capitalizar sobre a informação.

Considerando-se que a produção científica tradicional é direcionada em boa medida por interesses políticos e/ou mercadológicos, só o fortalecimento de uma Ciência Comum poderia contemplar de forma mais plena os interesses e as escolhas da maioria dos cidadãos.

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O menino da Internet, documentário-tributo a Aaron Swartz

Leis injustas existem; devemos nos contentar em obedecê-las, ou devemos esforçar-nos em consertá-las, e enquanto não conseguimos, obedecê-las, ou devemos transgredi-las de uma vez por todas?
Henry Thoreau

Estas palavras, que dizem muito da disputa atual pelo modelo de circulação dos bens intelectuais em nossa sociedade, abrem o documentário “The Internet’s Own Boy: The Story of Aaron Swartz”.

Sua trajetória ativista retrata a luta entre o direito de acesso ao conhecimento e à cultura versus o recrudescimento da propriedade intelectual.

Desde muito novo, Aaron participou de algumas das grandes invenções da internet, como o recurso RSS, a especificação das licenças Creative Commons e o site Reddit.

Ainda muito cedo, optou por deixar o mundo das startups e do dinheiro rápido para ficar ao lado de gente como Tim Berners-Lee, em prol da rede livre. Berners-Lee, para quem não sabe, criou a WWW e a disponibilizou de graça para a humanidade, tornando possível a criação de um sem número de inovações e serviços sobre a plataforma, algo que seria muito mais limitado se ela fosse proprietária.

Entre muitos projetos, Aaron criou o site OpenLibrary.org, uma biblioteca online aberta, onde é possível acessar e ler livros gratuitamente. Outra iniciativa de peso, que incomodou o governo norte-americano, foi disponibilizar gratuitamente 2,7 milhões de documentos da justiça federal do país que, apesar de serem dados públicos, tinham acesso restrito e cobrado. O FBI chegou a investigá-lo por esta iniciativa, mas não conseguiu base legal para processá-lo.

O ativista foi ainda peça fundamental na luta contra o projeto Stop Online Piracy Act (SOPA), que pretendia restringir a circulação de dados na rede e que acabou derrotado no congresso americano.

No final de 2010 e início de 2011, Aaron iniciou mais um projeto ambicioso: baixar uma grande quantidade de revistas e artigos científicas da plataforma JSTOR, usando a rede do MIT. Mesmo que ele nunca tenha disponibilizado os arquivos para terceiros, o FBI encontrou aí os fundamentos para processá-lo. E apesar de tanto o MIT quanto a JSTOR terem retirado a denúncia contra ele, o processo continuou e ele corria o risco de ser preso e ter que pagar uma multa de U$ 1 milhão.

O final da história, você já deve conhecer: Aaron não suportou a pressão e cometeu suicídio em 11 de janeiro de 2013. Um garoto brilhante, uma das lideranças da luta pelo conhecimento aberto e livre, acabou servindo de “exemplo” do que pode acontecer em solo norte-americano para quem ousa se contrapor às normas vigentes do capital. Mas, não, a luta ainda não acabou. Sabemos disso.

Vale assistir ao documentário, que conta em detalhes a sua história e nos inspira a continuar no front.

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Ciência, Sociedade e Redes na Era da Complexidade

A convite do professor Nilton Bahlis dos Santos, vou ministrar parte do curso “Oito Temas para se pensar a Ciência, a Sociedade e as Redes na Era da Complexidade”, no Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz.

Ao lado de aulas regulares, de caráter presencial, haverá atividades de Educação em Rede para alunos ouvintes, com participação através da Internet. As aulas serão transmitidas on-line e haverá debate permanente dos temas estudados no Facebook e em outros ambientes de nuvens. Os alunos que estiverem on-line no momento da transmissão poderão debater e contribuir diretamente através de comentários no grupo. As gravações das aulas ficarão disponíveis no Canal do Next no Youtube.

O curso se propõe a refletir sobre as modificações por que passa a sociedade na Era da Complexidade e da Internet; a necessária revisão do Paradigma da Ciência Clássica; o fenômeno do surgimento de redes distribuídas como central na passagem à novas formas de organização política, econômica e social e de produção de conhecimento; e as novas possibilidades e constrições que se colocam para a Saúde, a pesquisa, a educação e a ciência.

Sua metodologia será de uma oficina de investigação ou grupo de estudo, onde os professores e tutores terão o papel de subsidiar e estimular a interatividade e a produção coletiva de conhecimentos. As aulas serão às quinta-feiras, de 13h30 às 16h30, no período de 19 de março a 04 de Junho de 2015.

Para conhecer a Metodologia do curso ler o artigo “Lições Aprendidas em uma Experiência de Utilização do Facebook como Arquitetura Pedagógica de Apoio a um Curso em Regime Blended Course”.

Confira o programa:

* Paradigma da Ciência;
* Redes e Totalidade, da Cadeia de Produção às Redes Distribuídas;
* Processos Top down ou Bottom up: Hierarquia ou Emergência”;
* Educação e Comunicação: “Transmissão Mensagens” e “Disseminação de Conteúdo”, ou Sincronização;
* Comunidades Virtuais, e Reforma Sanitária;
* Economia P2P;
* Autoria e novas formas de patrimônio e produção de conhecimento;
* Democracia Representativa ou Ciberativismo.

Os interessados devem entrar no Grupo do Curso “Oito Temas para se pensar a Ciência, a Sociedade e as Redes na Era da Complexidade” no Facebook, onde podem ser feitas as inscrições a partir de hoje.

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Cartografia colaborativa, o caso Porto Alegre CC

Há algum tempo escrevi aqui sobre as cartografias colaborativas como uma forma de autoria em rede: mapas que são produzidos através da ação colaborativa de uma multidão de atores sociais, que trazem o registro de dados de interesse coletivo e se constituem em um bem comum, na medida em que contribuem para melhorias nos serviços públicos e privados; denúncias de problemas na cidade; registro de acervos culturais etc.

Tradicionalmente, a produção de mapas esteve relacionada à formação dos estados, com o objetivo de demarcar seu território, a localização de recursos etc. Sendo assim, se constituiu primeiramente como um processo centralizado, realizado a partir de decisões de instituições governamentais com o objetivo de atender a determinadas demandas geopolíticas.

No entanto, é importante salientar que a cartografia é antes de tudo uma representação do espaço, portanto passível de interpretação e dotada de viés político. Assim, o mapeamento feito pelo coletivo social tem o potencial de dar visibilidade a aspectos relevantes para a cidadania, mas que podem ser negligenciados pelo poder público.

Retornei a esse tema recentemente, nas apresentações que fiz no Acta Media 11, e desta vez pesquisei um pouco mais o caso Porto Alegre CC. Assim, pude perceber com mais clareza que o sucesso dessa iniciativa, que conta com centenas de registros sobre a cidade feitos por seus moradores, deriva do amadurecimento político-social da população local.

Porto Alegre CC

Porto Alegre CC

A plataforma foi lançada em março de 2011, como um projeto conjunto entre a prefeitura local e a Universidade de Vale dos Sinos, com o objetivo de incentivar o exercício da cidadania a fim de melhorar a qualidade de vida na cidade.

Importante destacar que o Porto Alegre CC faz parte de uma tecnologia social mais complexa, que vai além da plataforma virtual. Os registros feitos pelo público são acompanhados pela equipe que administra o projeto, com a realização de encontros periódicos e oficinas de capacitação social, com o intuito de dinamizar a participação popular em torno das demandas.

É evidente o legado da experiência do Orçamento Participativo como inspiração para esse projeto. Implantado de forma pioneira na cidade na década de 1980, para promover o debate público sobre as prioridades de investimento no município, essa metodologia de participação popular mais tarde se estendeu a dezenas de cidades brasileiras e também chegou ao exterior, em cidades como Montevidéu, Caracas, Buenos Aires e Lisboa.

Então, ao refletir sobre o papel das cartografias colaborativas com vistas à articulação social política, não se deve perder de vista que a mobilização é antes de tudo derivada da ação cidadã, isto é, o suporte tecnológico é apenas um elemento a mais no complexo processo de amadurecimento da sociedade democrática.

Abaixo, os slides de minha apresentação “Autoria e redes de comunicação: um olhar sobre as cartografias colaborativas”, no Acta Media 11, em Lisboa e São Paulo.

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O Pirate Bay caiu, mas a pirataria continua de pé!

ThePirateBay

Há cerca de três meses escrevi aqui no blog sobre a resistência do Pirate Bay em se manter no ar contra toda a pressão da indústria cultural apoiada pela repressão das instituições jurídicas e policiais.

Pois bem, a resistência durou pouco desde então. No último dia 9, a polícia sueca apreendeu os servidores de um data center em Estocolmo e derrubou o site que está fora do ar até agora.

Clique aqui para entender os motivos técnicos da queda, em artigo publicado no Gizmodo.

O mais significativo, a meu ver, é saber que mesmo sem o TPB a pirataria continua praticamente igual, pois vários sites estão espelhando o seu conteúdo, como The Old Pirate Bay. Mais ou menos como aconteceu, quando o Napster fechou e, em seguida, foram criados em seu lugar outros serviços de download peer-to-peer com tecnologia mais avançada.

Por isso mesmo, Rich Falkvinge, fundador do Partido Pirata sueco, em entrevista ao Torrent Freak , afirmou que acredita que a derrubada do TPB pode ser um importante estímulo para a inovação tecnológica. Para ele, apesar de cumprir um papel fundamental, o site estava muito aquém das necessidades atuais, era mal administrado e deixou de inovar.

Peter Sunde, um dos criadores do Pirate Bay, fez um comentário nessa linha no seu blog pessoal:

Ninguém está disposto a avançar a tecnologia no site. Ele ficou feio, cheio de bugs, de código antigo e de design antigo. […] Nos últimos anos não havia mais alma no TPB. O time original o entregou, bem, a pessoas com menos alma, para dizer o mínimo.

Já escrevi antes aqui no blog sobre a impossibilidade de se frear o download de conteúdo não autorizado, pois a dinâmica do capitalismo cognitivo demanda pela livre circulação de bens culturais. E repito:

Na atualidade, o conhecimento se transformou no próprio motor do processo produtivo: o saber é a fonte para a produção de novos saberes. Para garantir o fluxo da criação de mais saberes, o conhecimento precisa ser compartilhado. Esta é a lógica que está por trás da transformação na distribuição dos bens imateriais na sociedade contemporânea, e como diz respeito à própria vitalidade do sistema produtivo, não há como freá-la.

O mais curioso disso tudo é a controvérsia sobre o suposto prejuízo causado pela pirataria à indústria cultural, como já escrevi em outros posts aqui e aqui. Não à toa, Jeff Bewkes, executivo da Time Warner, em entrevista à revista The Verge, afirmou que o fato de a série ser um das mais pirateadas do mundo equivale a ganhar um prêmio Emmy, pois leva a um tremendo efeito boca-a-boca, ajudando a aumentar o número de fãs.

Sendo assim, concluo apostando que, com ou sem o Pirate Bay de volta, a pirataria terá sim vida longa. O mais provável é que, mesmo com grande atraso, a indústria cultural se dê conta de que os tempos mudaram e vá buscar outras formas de fazer negócio, compatíveis com a livre circulação dos bens intelectuais na atualidade. Afinal, não é possível querer criminalizar uma prática amplamente disseminada de compartilhamento da cultura e do conhecimento. A roda da história está em movimento, é inútil tentar pará-la.

Para uma reflexão sobre a falta de legitimidade do combate à pirataria, recomendo a leitura do excelente artigo, PirateBay: quem tem medo dos piratas?, do Instituto Beta para Internet e Democracia, publicado no Brasil Post.

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Autoria peer-to-peer: o caso Overmundo

Acabo de voltar de Portugal, onde participei do simpósio Acta Media XI com duas apresentações. Uma delas, em Coimbra, foi sobre o que denominei de autoria peer-to-peer, tendo o website Overmundo como exemplo.

O conceito de peer-to-peer vem sendo pensado para falar de produções atuais baseadas na livre cooperação, que seriam um terceiro modo de produção, diferente tanto do capitalista, orientado pelos interesses do mercado, como do encontrado em regimes socialistas, dirigido pelo estado.

Entre suas características estão a participação equipotencial, isto é, a não exigência de credencial para participar. Outro diferencial é a validação feita coletivamente, na qual a filtragem se dá a posteriori e não como uma barreira de entrada. Podemos pensar aí no jornalismo open publishing, que se opõe à editoria centralizada e hierarquizada da imprensa tradicional.

Importante também é o modelo de administração da produção, feita pela própria comunidade, com um tipo de autoridade horizontal que se baseia na reputação e no mérito. Por último, o bem produzido é disponibilizado livremente em regime de propriedade comum.

A enciclopédia colaborativa Wikipédia e o sistema operacional GNU/Linux são os exemplos paradigmáticos da produção peer-to-peer, ambos disponibilizados como um bem comum amparados em licenças livres para impedir sua apropriação privada.

Em minha fala, refleti sobre alguns aspectos dessa produção colaborativa, em diálogo com outros pesquisadores, tendo como referência o pensamento de Michel Focault.

Abaixo, para quem se interessar, os slides da apresentação.

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