Arquivo do mês: dezembro 2014

O Pirate Bay caiu, mas a pirataria continua de pé!

ThePirateBay

Há cerca de três meses escrevi aqui no blog sobre a resistência do Pirate Bay em se manter no ar contra toda a pressão da indústria cultural apoiada pela repressão das instituições jurídicas e policiais.

Pois bem, a resistência durou pouco desde então. No último dia 9, a polícia sueca apreendeu os servidores de um data center em Estocolmo e derrubou o site que está fora do ar até agora.

Clique aqui para entender os motivos técnicos da queda, em artigo publicado no Gizmodo.

O mais significativo, a meu ver, é saber que mesmo sem o TPB a pirataria continua praticamente igual, pois vários sites estão espelhando o seu conteúdo, como The Old Pirate Bay. Mais ou menos como aconteceu, quando o Napster fechou e, em seguida, foram criados em seu lugar outros serviços de download peer-to-peer com tecnologia mais avançada.

Por isso mesmo, Rich Falkvinge, fundador do Partido Pirata sueco, em entrevista ao Torrent Freak , afirmou que acredita que a derrubada do TPB pode ser um importante estímulo para a inovação tecnológica. Para ele, apesar de cumprir um papel fundamental, o site estava muito aquém das necessidades atuais, era mal administrado e deixou de inovar.

Peter Sunde, um dos criadores do Pirate Bay, fez um comentário nessa linha no seu blog pessoal:

Ninguém está disposto a avançar a tecnologia no site. Ele ficou feio, cheio de bugs, de código antigo e de design antigo. […] Nos últimos anos não havia mais alma no TPB. O time original o entregou, bem, a pessoas com menos alma, para dizer o mínimo.

Já escrevi antes aqui no blog sobre a impossibilidade de se frear o download de conteúdo não autorizado, pois a dinâmica do capitalismo cognitivo demanda pela livre circulação de bens culturais. E repito:

Na atualidade, o conhecimento se transformou no próprio motor do processo produtivo: o saber é a fonte para a produção de novos saberes. Para garantir o fluxo da criação de mais saberes, o conhecimento precisa ser compartilhado. Esta é a lógica que está por trás da transformação na distribuição dos bens imateriais na sociedade contemporânea, e como diz respeito à própria vitalidade do sistema produtivo, não há como freá-la.

O mais curioso disso tudo é a controvérsia sobre o suposto prejuízo causado pela pirataria à indústria cultural, como já escrevi em outros posts aqui e aqui. Não à toa, Jeff Bewkes, executivo da Time Warner, em entrevista à revista The Verge, afirmou que o fato de a série ser um das mais pirateadas do mundo equivale a ganhar um prêmio Emmy, pois leva a um tremendo efeito boca-a-boca, ajudando a aumentar o número de fãs.

Sendo assim, concluo apostando que, com ou sem o Pirate Bay de volta, a pirataria terá sim vida longa. O mais provável é que, mesmo com grande atraso, a indústria cultural se dê conta de que os tempos mudaram e vá buscar outras formas de fazer negócio, compatíveis com a livre circulação dos bens intelectuais na atualidade. Afinal, não é possível querer criminalizar uma prática amplamente disseminada de compartilhamento da cultura e do conhecimento. A roda da história está em movimento, é inútil tentar pará-la.

Para uma reflexão sobre a falta de legitimidade do combate à pirataria, recomendo a leitura do excelente artigo, PirateBay: quem tem medo dos piratas?, do Instituto Beta para Internet e Democracia, publicado no Brasil Post.

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Arquivado em Commons, Cultura hacker, Pirataria