Arquivo do mês: setembro 2014

O Pirate Bay resiste!

Na batalha pela livre circulação de bens intelectuais na rede, The Pirate Bay (TPB) ocupa certamente um dos lugares de destaque. Criado na Suécia em novembro de 2001, é o mais visitado diretório de BitTorrent do mundo.

Assim como no caso do Napster, a indústria cultural recorreu à justiça para tentar impedir seu funcionamento, alegando violação de direito autoral.

No primeiro caso, a indústria fonográfica foi bem sucedida e, como se sabe, o Napster não resistiu a uma série de ações legais e foi fechado em março de 2001. Na prática, seu fechamento não mudou muita coisa, pois simultaneamente vários outros programas foram criados para o compartilhamento de arquivos, como WinMX, Kazaa, eDonkey, Morpheus e Audiogalaxy.

De todos, o Bit Torrent foi o que conseguiu melhor resultado. A tecnologia torrent permite o descarregamento de arquivos em partes, o que torna o download mais rápido e, por isso, possibilita a transferência de grandes arquivos.

O funcionamento do sistema é outro aspecto importante: os arquivos torrent contêm metadata que serve como guia de sua localização na rede. E aí entra o servidor tracker, como o Pirate Bay, que localiza determinado arquivo na rede e faz a mediação entre quem busca e quem tem disponível para download.

Desde fevereiro de 2012, no entanto, o TPB mudou o sistema de localização de arquivos, substituindo o torrent por links magnéticos, a fim de economizar espaço e evitar problemas legais. Clique aqui para ver como eles funcionam.

O Pirate Bay tem conseguido resistir às investidas legais da indústria do copyright e continua no ar até hoje. Não é fácil processar o site, pois ele faz apenas a mediação entre os interessados nos arquivos. Durante um tempo, foi relativamente simples migrar seus servidores para diferentes países, a fim de fugir do cerco da propriedade intelectual.

Porém, há dois anos, o serviço foi totalmente transferido para as nuvens, onde roda atualmente  em 21 máquinas virtuais.  Foi a saída encontrada para evitar novas operações policiais que pudessem apreender os servidores. Confira, no site do Partido Pirata brasileiro, os detalhes técnicos para manter o site no ar.

O documentário “TPB AFK: The Pirate Bay Away From Keyboard” acompanha os três fundadores do Pirate Bay – Frederik Neij, Gottfrid Svartholm Warg e Peter Sunde – durante o processo movido por um consórcio reunindo os estúdios de Hollywood e a indústria fonográfica, de 2009 a 2012.

Interessante acompanhar os depoimentos, especialmente a fala do professor Roger Wallis, pesquisador de multimídia, que defende que quem compartilha pode também comprar o bem, mas exige um maior aprimoramento dos produtos oferecidos pela indústria. Segundo suas pesquisas, o download em certos casos pode contribuir com a divulgação e, consequentemente, com a venda do produto.

Leia mais sobre o depoimento de Wallis aqui.

Ou as falas de Peter Sunde, que tem uma visão mais politizada do papel do TPB na cultura digital e acusa a indústria cultural de querer criminalizar a internet.

Em tempo: os três foram condenados, cada um a diferentes períodos de prisão (até o máximo 12 meses), além de multa. Mas a luta continua. Existe uma campanha, com apoio do Partido Pirata Sueco e outros, contra a condenação.

O vídeo tem legenda em português, mas é preciso ativá-la na barra inferior, no terceiro ícone, da esquerda para a direita.

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