Arquivo do mês: junho 2012

Do códice ao tablet

Um dos temas que pesquisei na minha tese foi o da linguagem digital. Estudei especialmente o que diferencia este meio como uma tecnologia de suporte ao texto, tendo em vista sua influência ou determinação no surgimento de novas formas de autoria.

Um dos assuntos transversais a essa discussão é o do desenvolvimento de e-books, ou livros eletrônicos, e o que isso traz de mudanças para as práticas de escrita e de leitura.

Alguns dados mostram a relevância dessa questão. Por exemplo, hoje o consumo de livros nos Estados Unidos é predominantemente através do uso de tablets e e-readers. Ao lado disso, milhões de livros estão disponíveis para leitura on-line, como os do Google Book Search.

Por isso, é muito bom saber do lançamento do projeto Transcrever, da produtora Mosaico, que pretende abordar os vários aspectos envolvidos na transposição do texto do meio impresso para o digital:

“Transcrever é um documentário que tem o objetivo de mapear territórios de passagens do ambiente do impresso para o universo dos tablets. Por meio de vídeos e entrevistas pretende-se documentar e refletir sobre esse momento de justaposições de formatos e plataformas. Além disso, o site do projeto busca expor os pensamentos dos entrevistados e suas relações com a tecnologia e o livro digital.”

Uma iniciativa louvável e importante que merece ser acompanhada de perto.

Conheça o site do projeto.

Assista ao teaser do documentário, que traz bem no início uma interessante citação da professora Lucia Santaella:

“Umberto Eco diz que há dois suportes eternos, porque são perfeitos: a cadeira e o livro impresso”.

Será mesmo?

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Arquivado em Escrita Digital, Linguagem Digital

Qual o futuro da Internet?

Será que a rede continuará sendo um território livre para o compartilhamento do conhecimento e da cultura? De que maneira serão definidos temas como: a flexibilização do direito autoral, a regulação da privacidade online, a neutralidade da rede, além do próprio direito e condições de acesso para todos?

Estas são questões que estão sendo debatidas atualmente em todo mundo. No Brasil está em discussão na Câmara de Deputados o Marco Civil da Internet , um projeto de Lei que visa estabelecer direitos e deveres na utilização da rede. O governo federal também está elaborando, de forma um tanto empacada, a revisão da Lei de Direito Autoral.

Estas regulamentações vão afetar a todos nós, usuários da rede. No entanto, poucos estão atentos e mobilizados em torno delas.

Para ampliar o debate e envolver a sociedade como um todo nestas definições, está sendo produzido o documentário colaborativo Freenet?.

Assista ao teaser

Leia a apresentação do projeto:

Quem governa a rede? Com quais interesses? Será que somos todos livres para acessar conteúdos? Ou ter privacidade? Que direitos humanos são afetados quando se ataca a liberdade da rede? Quem garante o direito de todos os cidadãos a uma conexão rápida e de baixo custo?

Freenet? é um documentário colaborativo sobre o futuro da liberdade na Internet. Seu objetivo principal é utilizar a troca de conteúdo audiovisual para trazer o debate atual das esferas acadêmica e governamental para a linha de frente das comunidades online, promovendo conscientização e mobilização dos maiores interessados: nós, os usuários de Internet.

Freenet? convidará os usuários a compartilhar filmagens sobre seus desafios diários para acessar e navegar por uma internet livre, de maneira a construir um debate global sobre o tema. Os melhores vídeos serão selecionados para fazer parte da edição final do documentário, ou servirão como estudos de casos para serem explorados no processo de filmagens.

Desta maneira, a plataforma online servirá como um hub de produção colaborativa para o documentário, assim como um centro de informação sobre liberdade na rede. Seja postando um comentário, uma opinião, um ensaio ou um pequeno vídeo, pessoas de todo o mundo serão convidadas a explorar como o espaço contemporâneo das políticas de internet funciona. Quem detém as rédeas? Quem fica de fora? Como isso impacta os direitos humanos fundamentais e as questões de desenvolvimento? Junte-se ao debate sobre como a rede deve ser governada no futuro e com quais garantias.

Esse projeto é uma iniciativa conjunta de quatro organizações brasileiras: Centro de Tecnologia e Sociedade, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Intervozes e Instituto NUPEF.

Mais sobre o projeto.

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Arquivado em Cultura livre, Direito Autoral, Política cultural