Arquivo do mês: agosto 2011

Open Science, a pesquisa científica colaborativa

Nesta quinta-feira, vou dar uma palestra na Fundação Oswaldo Cruz sobre o tema Criação Coletiva, Patrimônio Intelectual e Inovação. Por conta disso, estive pesquisando alguns casos de autoria colaborativa na área da Saúde. Fiquei sabendo, então, que já existem muitas iniciativas de Open Science, um modo de pesquisa científica que se inspira no modelo produtivo do software livre. Isto é, os estudos são feitos colaborativamente, de forma aberta, as diversas etapas vão sendo divulgadas, sem a preocupação com o registro de patentes ou com a prévia publicação de artigos, o que é padrão na pesquisa tradicional.

Por exemplo, conheci duas iniciativas muito interessantes direcionadas à investigação das chamadas doenças negligenciadas, que afetam cerca de 500 milhões de pessoas no mundo. São os casos de doenças que não oferecem uma perspectiva de lucro para os laboratórios e por isso as pesquisas sobre medicamentos específicos para elas são deixadas de lado (!?). Uma dessas iniciativas é a Open Source Biomedical Research, lançada em 2006, dedicada ao estudo das doenças tropicais, típicas de países em desenvolvimento, numa abordagem colaborativa e aberta. Atualmente o foco do trabalho é em pesquisas sobre tuberculose, esquistossomose, malária e toxoplasmose. A iniciativa é aberta, basta se registrar para começar a contribuir. Todo o conteúdo da plataforma está registrado sob uma licença Creative Commons Attribution 2.5 (pode compartilhar, remixar ou comercializar, mas tem sempre que citar a atribuição de autoria). Vale a pena dar uma olhada no site deles, pois traz links para vários textos sobre projetos Open Science.

Na mesma linha é o projeto Open Source Drug Discovery, financiado pelo governo da Índia, que pretende agregar o conhecimento de vários especialistas numa plataforma colaborativa aberta com o objetivo de descobrir novos medicamentos para as doenças que afetam a população dos países em desenvolvimento. O projeto existe desde setembro de 2008 e atualmente tem mais de 4.500 usuários registrados de mais de 130 países. Seus princípios de trabalho são Colaborar, Descobrir e Compartilhar, com base no lema “cuidados de saúde acessíveis a todos”. Os medicamentos que forem criados a partir desta iniciativa serão comercializados como genéricos, sem registro de Propriedade Intelectual. Ao invés disso, eles criaram uma licença própria para proteger o conhecimento gerado de forma coletiva.

Como se vê, o modelo open source se espalha pelas mais diversas áreas do conhecimento e da atuação humana. Assim, vai se comprovando sua superioridade como um método capaz de reunir as competências, sem barreiras, para somar esforços e inteligências em prol de um objetivo, seja um sistema operacional eficiente ou medicamentos para a prevenção e cura de doenças. Todos trabalhando juntos pela Internet, chegando mais rápido às soluções e de forma muito mais barata.

Posto o vídeo com Mat Todd (em inglês), um dos coordenadores do Open Source Biomedical Research. Para ele, a maior vantagem da pesquisa open source é sua rapidez. Por isso mesmo, acredita que em pouco tempo o modelo industrial tradicional de pesquisa em medicamentos estará obsoleto.

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Para entender a Creative Commons

Posto aqui o vídeo produzido pela Creative Commons para explicar como funciona a licença que, segundo eles, é um meio termo entre o “Todos os direitos reservados”, do Copyright, e o “Nenhum direito reservado”, do Domínio Público, oferecendo um espectro de opções de proteção a obras intelectuais.

Bem didático e bem curtinho. Vale conferir.

Assistindo ao vídeo fica muito claro como não teve nada a ver a grande confusão criada em torno da licença pela ministra Ana de Hollanda no início de sua gestão. Não é possível que alguém não possa compreender algo tão simples – que a licença não é contra o direito autoral, só quer possibilitar mais escolhas aos autores sobre as formas de circulação de suas criações. Só dá mesmo para pensar que havia, ou ainda há, interesses corporativos que não querem incentivar os criadores a lidar com sua obras de forma independente. Leia-se Ecad e cia…

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Remix e cultura digital em debate

Outra boa dica do Reynaldo Carvalho, nos comentários do blog, que posto aqui para dar mais visibilidade: o áudio da mesa “Cultura Digital para além da internet: Remix e Transmídia” com os palestrantes Eduardo Navas (Remix Theory) e Maurício Motta (Os Alquimistas), no Fórum da Cultura Digital Brasileira 2010.

E, ainda, os áudios das outras mesas e palestras do evento com temas muito interessantes como “Os futuros do livro”, com Bob Stein (Institute for the Future of The Book), e “Perspectivas criativas da cultura digital”, com Vincent Moon (La Blogotheque) e HD Mabuse (C.E.S.A.R). Além de um balanço dos oito anos de política cultural no governo Lula na mesa “Cultura Digital oito anos depois, dez anos a frente”, com o ex-ministro Gilberto Gil e John Perry Barlow.

Confira os links dos áudios aqui.

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De volta…

Estou de volta ao Rio de Janeiro, finalmente. Foi muito bom fazer o estágio em Portugal, tanto do ponto de vista da pesquisa quanto da experiência pessoal. Mas nada como retornar pra casa…

É muito interessante entrar em contato com outro grupo de pesquisa, especialmente no estrangeiro, e conhecer um ponto de vista diferente sobre seu tema de pesquisa. Por outro lado, é fascinante se inserir durante algum tempo em uma outra cultura – por mais similar que seja, como no caso da portuguesa – e experimentar novos modos de viver. Por tudo isso, sem dúvida alguma, recomendo a todos a vivência do estágio sanduíche.

E, assim que cheguei, já voltei também ao trabalho. Na semana passada estive em São Paulo para participar do I Congresso Mundial de Comunicação Ibero-Americana, na ECA/USP, onde apresentei o trabalho Escrita digital – Uma exploração de sua constituição e genealogia, na Sessão Temática de Cibercultura. Você pode conferir os slides da apresentação abaixo:

Em breve, o artigo completo deve estar disponível no site do Confibercom.

Nos próximos dias vou postar novas contribuições que tenho recebido, com mais algumas reflexões sobre os processos autorais em rede.

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