Remix – uma antiga novidade

As tecnologias digitais popularizaram a prática da criação coletiva que existe desde sempre.

Os trovadores da Antiguidade já recriavam os versos que recitavam, colocando sempre algo de seu naquilo que vinha da tradição cultural. Num movimento constante em que a tradição era sempre revista, atualizada, por cada declamador. E a criação, fluida.

Com a escrita os versos tenderam a se fixar no papel. Mesmo assim, em muitos casos, antes de chegarem ao papel eram gerados num tipo de criação coletiva, feita de atualizações da tradição.

Há pesquisas que afirmam que assim foi com Ilíada e Odisséia, versos da cultura popular que foram registrados por Homero, e também com Romeu e Julieta e tantas outras obras de Shakespeare, que as teria colhido tradição oral, por definição feita de uma memória coletiva sempre em movimento. O mesmo com os contos de Andersen e por aí vai.

Então quando hoje presenciamos o fenômeno da cultura do remix, largamente disseminada pela rede, há uma certa tendência de ver ali uma grande novidade, quando o que se dá de fato é uma atualização, pelos recursos da mídia eletrônica, de algo que em certa medida sempre existiu: a criação de obras derivadas de outras obras.

Esta ideia é interessante para repensar a crença de que sem o estatuto do direito autoral a criação deixaria de existir por falta de incentivo ao autor. Não é verdade. Porque a humanidade sempre criou, mesmo quando não havia o direito autoral ou a propriedade intelectual. E também porque continua criando e inventando novos modelos de negócio que independem de uma legislação de proteção de uso da obra tão restritiva.

Sobre esta questão, já publiquei aqui o artigo do Guilherme Carboni, Quem tem medo da Reforma?

O vídeo A Remix Manifesto faz um grande apanhado sobre a cultura do remix na música, apresentando especialmente o caso do DJ Girl Talk e discutindo toda a repercussão dessa prática na indústria cultural. Traz inclusive exemplos brasileiros, como o Tecnobrega. Abaixo a primeira parte no Youtube:

Um exemplo muito legal da dinâmica da cultura remix na rede é essa seqüência feita por Volker Grassmuck, um pesquisador alemão que atualmente está dando aula como professor visitante na USP, sobre o caso Double Rainbow, um vídeo caseiro que se transformou em viral, teve mais de 3 milhões de hits em oito dias, e serviu de inspiração para uma série de remix, nos mais variados estilos. Clique aqui para conferir.

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Arquivado em Autoria Colaborativa, Remix

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