Por que o Google Wave não deu certo?

Recebi a notícia sobre o fim do desenvolvimento do Google Wave com algum pesar, mas não com surpresa. De fato estava já bastante claro que a plataforma não tinha rendido o esperado. Apesar de chegar com uma proposta muito interessante, a de oferecer muito mais recursos para a escrita colaborativa, no final de contas o projeto não conseguiu ganhar os usuários. Provavelmente, meu primeiro palpite, por causa de uma interface um tanto complicada e mais alguns bugs que faziam as promessas de uma comunicação distribuída em tempo real soarem exageradas.

Este post aqui faz uma boa análise dessa complicação.

Eu consegui meu convite para entrar no Wave logo na segunda leva, por conta de um amigo que trabalha na Google. E fiquei tão animada que já planejava incluí-lo entre os objetos de estudo na minha pesquisa. E realmente tinha tudo a ver com as coisas que eu estava trabalhando: um processo autoral cada vez mais dialógico por conta de uma comunicação que se aproxima de uma conversação face a face. Pensava aí na ideia da dupla lógica da remediação: o novo meio, através de uma hipermediação, isto é, com sofisticação tecnológica, buscava uma imediação, um apagar de sua própria interface, uma imitação do real. O objeto dos meus sonhos para falar da autoria colaborativa, mas…

Então fui logo querendo fazer testes, convidar pessoas e, enfim, ver aquele negócio em funcionamento. Mas aí é que a coisa emperrou. Convidei muita gente, uma boa parte entrou, alguns começaram a participar da brincadeira mas, de repente, tudo parou. E parado ficou. Passaram-se alguns meses e daí nem eu mesma entrava mais na plataforma. Pra dizer a verdade, acabei esquecendo dela. E aí vai o meu segundo palpite: com tanta coisa interessante para eu acompanhar no Facebook e no Twitter, por que ficar abrindo mais uma aba no meu browser que, no final das contas, não me oferecia nenhuma informação nova, nenhum input? Ela não foi povoada, o povo não quis ficar lá.

Isso me leva a concluir que para tentar mudar um padrão de usabilidade já muito bem estabelecido é preciso que se apresente uma interface basicamente simples, estável e funcional, que ofereça uma experiência mais interessante ou diferente daquelas que já estão aí consolidadas. Me parece que o Wave, apesar de todas as boas sacadas, não conseguiu alcançar esse patamar de qualidade. A Google agora investe numa nova rede social, o Google Me. Espera-se que seja melhor do que o Orkut, que já ficou pra trás, e do que o Buzz, que por aqui também não vingou.

Resta lamentar, sem dúvida, que uma ferramenta com recursos tão interessantes não tenha conseguido vencer os percalços e se estabelecer. Fico na torcida para que alguns desses recursos venham a ser incorporados em plataformas exclusivas para a criação textual colaborativa, como o GoogleDocs. Talvez nesse ambiente a ideia tenha mais chance de prosperar.

2 Comentários

Arquivado em Escrita Digital, Linguagem Digital

2 Respostas para “Por que o Google Wave não deu certo?

  1. Surgiu o google plus que também não agradou…

    • Pois é, apesar de todos os esforços – como conectar as contas de Gmail e Youtube com o Google+ – a rede social da Google não decolou, pelo menos não no Brasil.

      Na minha opinião, existe a questão do povoamento da rede, sua capacidade de agregar mais pessoas e por isso se tornar mais útil e interessante, algo que o Facebook conseguiu fazer.

      Mas dizem que a geração mais jovem já está saindo do Facebook para outras redes. Qual será a rede social dominante daqui a, digamos, 5 anos? Difícil de prever…

      Valeu o comentário.

      Um abraço,

      Bia

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